Arquivo para julho, 2010

Quebra.

Não deu tempo.
O tempo não se doou. Com isso, tudo doeu.
Não tiveram uma casinha só pros dois.
Pra num domingo, ela dormir até tarde e no almoço ele deixar queimar o arroz.
Não tiveram um jantar à luz de velas na própria cozinha,
Numa sexta de noite, quando ela chegaria do trabalho
se sentindo cansada e sozinha.
Não tiveram brigas infantis jogando baralho.
Não disputaram sobre quem limparia a casa em determinado horário.
Não puderam ter um romântico café na cama.
Não decidiram se o nome da filha seria Valentin ou Ana.
Não completaram bodas de casados.
Somente anos de separados.
Se é que isso se completa…

(Lennon Uriel)


Eita coisa!

“Eita coisa…”
Cheguei em casa, escancarei a porta da geladeira.
Olhei pra dentro daquela geleira, banhada pela luz amarelada.
Pensei, pensei. Fui pra longe que até esqueci de pensar.
Quando pra cá retornei,
Resolvi fazer o que uma pessoa costuma fazer a uma geladeira abrir.
Procurei algo pra beber, o que tivesse ali , poderia ser um refrigerante qualquer.
Nada achei. Bebi mesmo foi mel em colher.
“Eita, que coisa.”
Fui pro quarto e sentei-me ao computador.
Olhei lá pro monitor, regulei a luz que me ofuscou os olhos.
Pensei, pensei. Fui pra longe, até que por uns instantes me esqueci de ti.
Quando pra cá retornei
Resolvi fazer o que uma pessoa costuma fazer ao gostar de outra.
Procurei você, perdida em algum lugar da rede.
Nem te achei por ali.
Talvez por ser muito tarde, e você já ter ido dormir.
“Eita, mas que coisa.”
Deitei na cama, esperando o porvir.
Olhei pra cima, onde estelas de plástico desenhavam tua feição.
Nem pensei. Fui pra longe, esperando estar mais perto da luz do meu teto.
Procurei você, perto de mim, em meus sonhos de algodão.
Só te achei ali, na minha bela ilusão.
“Eita, mas que coisa!” – Pensei.
– “Mas que confusão, que emboscada!
Como se pode gostar de alguém assim,
sem qualquer chance de  voltar a chamar de ‘namorada’?”

(Lennon Uriel)


Prefácio.

O que é uma história?

Gosto de pensar que não existem histórias inventadas. Não que isso seja uma regra universal, mas acredito que, geralmente, quando alguém “inventa”, “imagina” uma história, na verdade ela só esta contando algo que realmente aconteceu, por mais que, muitas das vezes, nem mesmo a própria pessoa saiba disso. E é assim que eu vejo as histórias: Fatos que ocorreram em outros lugares, bem diferentes de onde vivemos, por mais que, em alguma outras vezes, não nos pareçam tão diferentes assim.

Quem são os contadores de histórias?

O contador de histórias (e aqui incluo todos nós, habitantes desse pequenino planeta), é alguém que por algum momento e por algum motivo, tão maior que não conseguimos ver ou compreender direito, se desloca de nossa realidade e entra em contado com outras. Realidades inúmeras em dimensões infinitas. Lugares do espaço onde o que julgamos ser impossível é tão comum quanto assistir televisão aos domingos.
Algumas das grandes pessoas que já viveram aqui entre nós, nomearam alguns desses lugares como Fantasia, Sonho, Imaginação. Palavras tão bonitas e cheias de doces significados, que atualmente carregam o peso injusto de conotações várias, que não lhe são merecidas.

Aquele que conta uma história, então, de alguma maneira, o que aconteceu nesses outros lugares e  sente a vontade (necessidade) suficiente para compartilhar essa experiência com  outras pessoas. Por isso, quando lemos ou ouvimos uma história, quando nos entregamos a ela, esta acaba fazendo parte de nós, como se cada um fosse espectador da cena,  vendo tudo acontecer de perto. Não é por acaso que ao recordar uma história,  lembramos dos fatos do mesmo jeito que recordamos de coisas que aconteceram em nossas vidas. Vemos a história “fictícia” assim como vemos nosso passado. É por isso que essas duas palavras, história e passado, se relacionam tanto.

Uma história se resume a algo que já aconteceu?
Será possível uma história contar algo que ainda vai acontecer?

Acredito que os outros “mundos” e “dimensões” devem possuir formas e leis tão únicas, que nem consigo imaginar se um dia iremos compreender metade delas. Por mais que nós enxerguemos como agentes atuantes entre as diversas realidades, não há, por enquanto, como entendermos o processo. Simplesmente fazemos parte dele. E particularmente, acho que, por hora, isso já é conhecimento de bom tamanho.

Cada ponto, um conto.

Reservei esse pequeno domínio dentro da grande teia mundial, para contar pra vocês coisas que conheci aos poucos, sobre alguém que passou por situações muito parecidas com as que eu mesmo vivi. É incerto o lugar do espaço no qual essa pessoa se encontra, mas onde quer que esteja, tenho muito carinho por ela e por sua história.

Sinceramente, não posso afirmar se esta é uma boa história para se ouvir, porém tenho a certeza de que vale a pena ser contada.

(Lennon Uriel)