Arquivo para agosto, 2010

Pensamentos [2].

Inventam-se frases, canções. Fingem-se palavras. Mas o sentir – esse sim é autêntico. E só escondê-lo não o torna menos real.
E que tudo que é real seja bom. E que todas as invenções e fingimentos passem a serem sentidos!

E sonhar continua sendo a melhor maneira de manter os pés no chão.
Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe, diz que “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
Cá com meus botões fico a pensar: E o que faz aquele que foi cativado?

Gostar de alguém é simples. O sentir flui fácil pelas veias do coração. O difícil é a necessidade de exteriorizar. Somos pequenos demais, por isso temos que dividir o que nasce dentro de nós. Tudo não cabe em um só, e sem espaço nada cresce.


De manhã.

Raios de sol enchem o céu lá fora, chegam pra avisar que já é outro dia. :)
Dia que é diferente de ontem, de amanhã. Com novas chances, oportunidades. E ainda assim tão igual aos demais. O que é que de fato muda? Muda a forma de você ver.

“- Ele devia dormir mais e sonhar menos. Disseram – Afinal ela nem o conhece e pouco se falam. Às vezes palavras fazem falta aos corações.”

Vez ou outra corações velhos tem necessidade de palavras novas.

“E ela mal o conhece! Garoto esperançoso, ele. Não devia se deixar impressionar tanto assim, mesmo a beleza dela sendo tão incomum.
(…)
Devia tomar cuidado com o que fala e sente. É, devia. Senão assusta. Acho que ele devia dormir mais e sonhar menos. – Disseram.”

E todo dia e toda vida é pra ser simples, sem inventar muito conceito pra tudo. E tentar ser conciso sem precisar ser tão preciso.


Pensamentos.

[Pois ter um sonho é como um filho teu: ou você cria ou é mais um no mundo – Trevisan]

Tempo é o único espaço que separa todos nós.

E como sobra tanto tempo nessa noite, ocupo lembrando coisas, das pessoas que passaram, das que ficaram, das que ainda podem ser…
Lembro de tempos atrás, e as vezes tento imaginar o que teria acontecido se tivesse agido diferente,escolhido outras opções.

Coisa sem futuro, imaginar o porvir de um passado também inventado.

Mas imagino só por brincar. Por lembrar os outros tempos, por sobrar tempo.
E sobre os tempos que virão: são o fazer e o querer do hoje.

E o quanto cabe sonhar? Tem quanto de espaço? O quanto cabe aí? Acabo por pensar que, talvez o que será, eu mais sei lá do que sei aqui.
Tem vezes que nem o papel, nem lápis, nem letra, nem som, conseguem ajudar a gente a tornar concreto aquilo que sente.
Às vezes a gente inventa tão bem, que nós mesmos acreditamos. Fazemos a própria sorte e alegria. Criamos chuva e sol pra cada dia.
Tem vezes e tem vazios. Tem coração em pedaços e tem sorriso que é feito cola. Tem gente que acha que a vida é prisão – outros, escola.
Tem necessidade. Tem mentira casando com verdade. Fingimento que vira fato. Esperança que é pedra no sapato e tropeço que nos joga pro alto.