Exposição

¹[ Dei um rewind, revi tudo em fast-forward… – Humberto Gessinger]

²[ A relatividade do mundo não é legal! Não gosto da velocidade que as coisas mudam!
Não é que eu não gosto de mudanças… Só não gosto… – Rafael Brandão]

No corredor onde me encontro, estão todas minhas obras. Dispostas em eternos corredores, que levam à infinitas câmaras, nomeadas presente, passado e futuro. Eu caminho entre as paredes, por passagens em penumbra. Os quadros se repetem – os quartos se repartem. Entre minhas coleções de erros e acertos, as falhas são nítidas. Os erros se repetem – os mesmos se repartem. Como um disco que trava na vitrola, insisto em pintar a mesma tela infinitas vezes. Pelas janelas dos quartos eu vejo o mundo passar lá fora. Vejo ao longe aqueles que um dia estiveram aqui por perto. Hoje são somente mais gravuras em um dos meus quadros. São como fantasmas que já não jazem comigo. Sinto falta dos amigos – e dos ombros abrigos.  Da ilusão de segurança, de não estar só. E tudo é estático. Só não as cores. As paredes por si só, mudam de tom. E nessa transfiguração, imitem sons – mudam de tom. Ora é branco, ofuscante, limpo. Ora é escuro, seco, em meia luz. E conforme ando, as paredes passam por mim. Velozes, ferozes. Mais um ano se vai.  Às vezes custa, às vezes nada gasto. Os erros e acertos são sempre os mesmos. Os quadros se repetem – os quartos se repetem. Nesse lugar, onde eu mesmo faço o tempo, deixo a ampulheta em teias que não possuo controle. Observo tudo como se não estivesse participando do grande espetáculo. Na peça sobre minha vida, o personagem principal é um mero espectador. Vejo a divina comédia acontecer comigo diante dos meus olhos, perante os meus sonhos. Mas só estou vendo quadros, nas salas do Tempo que reverberam na eternidade das existências. Sou eu, me vendo de longe. Assistindo o drama de minha própria historia se repetir sempre que abro uma nova porta. Sou eu, comigo mesmo. E meus quadros que se repetem, nos quartos que sempre se repartem.

(Lennon Uriel)

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2 Respostas

  1. Sentimentos a flor das letras.
    Preciso nem dizer que adorei neh?

    agosto 2, 2010 às 16:53

  2. Maira

    ta otimo, eu gostaria de entender como flui assim. mas é impossivel, nao tem explicação. :)

    agosto 3, 2010 às 01:25

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